ABiogásNews | Setembro de 2020

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ABiogás News – Setembro de 2020

DESTAQUE

Daniel Rossi, da ZEG: de São Paulo à Amazônia, o futuro é o biogás

Os últimos meses vêm sendo de muito trabalho para a ZEG Ambiental, empresa do grupo Capitale Energia. A companhia finaliza os detalhes para dar a partida em dois projetos – um, de geração de energia elétrica por biogás produzido em uma usina de óleo de palma da Marborges Agroindústria, em Moju, no Pará, e outro, de conversão de biogás em biometano no Aterro Sapopemba, na cidade de São Paulo. Recentemente, de olho no crescente mercado de caminhões movidos a GNV, a ZEG anunciou uma parceria com a Golar Power para liquefação de biometano – que a empresa chama de “GasBio” – e comercialização do produto em larga escala.

Nesta entrevista à ABiogás News, o CEO da ZEG Ambiental, Daniel Rossi, conta mais detalhes sobre os projetos que estão prestes a entrar em operação. O executivo aponta as expectativas da empresa com o biogás e o biometano, em particular na região amazônica, a partir do projeto da Marborges. E indica que, em breve, a companhia irá anunciar um novo projeto de produção do bioenergético a partir de resíduos do setor sucroalcooleiro.

Qual é a capacidade de cada um dos projetos que entrarão em operação?

O projeto de produção de biometano no Aterro Sapopemba, em São Paulo, tem capacidade total de 90 mil m3/dia de biometano. Estamos em sua primeira fase, iniciando uma produção de 30 mil m3/dia de biometano, além da produção de energia para consumo na unidade.

Já o projeto no Pará é para geração de aproximadamente 1 MW de energia elétrica, utilizando a vinhaça de palma para produção de biogás.

Quais são as tecnologias utilizadas? E quais são os principais fornecedores de equipamentos?

Em São Paulo fomos responsáveis por realizar uma integração entre diferentes fornecedores e tecnologias. O equipamento de purificação de biogás é um lavador de gases fornecido pela Greenlane, com quem temos um grande relacionamento.

No Pará, as tecnologias que aplicamos em geração, secagem e dessulfurização do biogás foram todas desenvolvidas dentro da própria ZEG. Para a produção de energia elétrica utilizamos motores Scania, com quem também temos um estreito relacionamento.

Uma das belezas dos projetos é a própria capacidade da ZEG em identificar qual a melhor tecnologia a ser aplicada em cada um deles, pois, dependendo da origem do biogás, sua composição é alterada, e fazer a integração entre diferentes tecnologias.

Fale um pouco sobre o histórico dos projetos, desde sua idealização até este momento de operação.

Em São Paulo, a comercialização do biometano foi estruturada de forma a possuirmos diferentes perfis de clientes: consumidores industriais de grande volume, onde o biometano é um começo de sustentabilidade; consumidores industriais de menor volume, onde o biometano substituirá completamente o combustível fóssil utilizado no abastecimento de frotas; e a própria liquefação com a Golar Power, como já anunciado.

No Aterro Sapopemba, por ser o primeiro projeto de biometano em São Paulo, o licenciamento ambiental é sempre um ponto a ser superado. Esse processo começou em 2017, e agora, com todos os equipamentos instalados, estamos aguardando a licença de operação (LO) ser emitida a qualquer momento. Após a emissão da LO, a próxima fase será concluirmos as autorizações junto à ANP. Então, já são três anos de desenvolvimento, entre licenciamento ambiental e conclusão das obras.

No Pará, como a origem do biogás é muito diferente da de São Paulo, o intervalo temporal é bem inferior. Hoje temos capacidade de construir um biodigestor e instalar uma central térmica em 180 dias, e podemos considerar mais 180 dias para licenciamento ambiental. Mas, por ser o primeiro projeto do tipo na região, o período de licenciamento ambiental de nosso projeto no Pará demorou um pouco mais que isso.

O projeto do Pará traz o conceito “Bioeconomia na Amazônia”, que tanto se fala hoje. Desenvolvemos esse projeto em conjunto com a Marborges, indústria de palma que é nossa parceira e também trilha seus caminhos no uso consciente dos recursos. Lá, utilizamos o resíduo da indústria de palma, produzimos o biogás, geramos energia elétrica para a própria indústria e irrigamos uma plantação de açaí na região com o resíduo do biodigestor. É um projeto que tem muito além de energia renovável. Estamos falando de produção de energia descentralizada que caminha ao lado das atividades ali desenvolvidas, irrigação, cultivo orgânico e agricultura familiar.

A nossa expertise em comercialização de energia elétrica nos faz enxergar a necessidade de cada cliente, de acordo com o perfil de cada projeto. O nosso cliente tem conosco um hub que vai além de energia (seja elétrica ou térmica), onde podemos endereçar diversos interesses de sustentabilidade, bioeconomia e economia circular.

Como está atualmente a carteira de energias renováveis da ZEG Ambiental e qual o peso desses dois projetos nela?

Do ponto de vista financeiro – investimento, faturamento etc. – e de volume de energia renovável gerada, estes novos projetos representam menos de 5% do nosso pipeline atual, amparado por contratos e memorandos vinculantes já assinados, apenas nos negócios de biogás e biometano.

No entanto, ficarão marcados na história da ZEG porque representam um marco que coloca a empresa em um patamar diferenciado. Eles são a materialização da nossa visão de um modelo de negócios que congrega rentabilidade e grande impacto positivo para a sociedade como um todo.

Quais são as perspectivas da companhia na área de biogás/biometano, considerando, inclusive, o recente acordo fechado com a Golar Power para comercialização de biometano?

Estamos com vários projetos no pipeline para os próximos anos. Nossa equipe mostrou ser plenamente capaz de produzir biometano em aterros sanitários, produzir biogás com resíduos e produzir energia de diversas origens. Portanto, temos uma mira para expandir o conceito do nosso primeiro projeto do Pará para toda a Amazônia, incluindo a produção de combustíveis sustentáveis nestes lugares.

Em breve, também anunciaremos nossos projetos na geração de biogás com resíduos da indústria de cana-de-açúcar.

Na ZEG, optamos por nos estruturar, confirmar as teses, para então conquistarmos o nosso espaço no mercado. Já temos vários dos nossos desenvolvimentos validados. Então, os próximos anos serão realmente de grande expansão.

RESUMO DE NOTÍCIAS AGOSTO 2020

CNPE reduz cotas de compra de CBIOs pelas distribuidoras de combustíveis

O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou, em 18 de agosto, resolução para reduzir as metas compulsórias anuais de compra de Certificados de Descarbonização (CBIOs) pelas distribuidoras de combustíveis fósseis no âmbito do RenovaBio. O Ministério de Minas e Energia (MME) não informou as novas cotas até o fechamento desta edição de ABiogás News.

A princípio, a proposta do MME para 2020 previa uma redução de 28,7 milhões para 14,53 milhões de CBIOs, uma diminuição de quase 50%. Entretanto, essa redução foi contestada tanto por representantes dos setores produtivos como de distribuição durante consulta pública aberta pelo ministério. Enquanto as usinas defendiam valores maiores, as distribuidoras pediam uma diminuição mais drástica ou até mesmo a suspensão do programa.

Em nota, o MME afirmou que as metas definidas em unidades de CBio “consideraram os recentes impactos da pandemia de Covid-19 no mercado de combustíveis no curto e no médio prazo”, e a redução (inclusive das metas de 2020) acompanhou esse movimento.

A resolução, de acordo com o ministério, autoriza a regulamentação da contratação de longo prazo no mercado de biocombustíveis, prevista na Lei do RenovaBio. Ela também estabelece “como de interesse da Política Energética Nacional que as metas individuais dos distribuidores de combustíveis sejam reduzidas tanto a partir dessa contratação a prazos maiores, como na mesma proporção dos CBIOs retirados de circulação do mercado por agentes não obrigados.”

Os dois dispositivos serão regulamentados pela ANP.

Biogás pode desenvolver bioeconomia amazônica, aponta estudo

O biogás pode ser um importante elemento para destravar o processo de desenvolvimento econômico e social da Amazônia. É o que aponta o texto para discussão “Do luxo ao lixo: biogás na agenda da Bioeconomia da Amazônia”, realizado pelo Instituto Escolhas. De acordo com o levantamento, apenas a partir de resíduos sólidos urbanos (RSU) dispostos em aterros sanitários seria possível produzir 461,3 mil metros cúbicos normais (Nm3) de biogás por dia na Região Norte, suficientes para abastecer mensalmente com energia elétrica 190 mil residências com consumo médio de 150 kWh. Esse número, em um aproveitamento ótimo, chegaria a 1,3 milhão de Nm3/dia, sem contar o potencial não estimado de utilização de esgoto, biomassas florestais e mesmo resíduos de piscicultura e de pesca artesanal.

No Brasil, a geração de energia elétrica a partir do biogás segue a mesma lógica de outras partes do mundo: mesmo com matéria-prima descentralizada, a produção do biogás ainda é bastante concentrada, aponta o estudo. Metade do volume de biogás é produzido em São Paulo e no Rio de Janeiro. O Amazonas é o nono colocado no ranking nacional, com apenas 2% do volume produzido em todo o país, ou 26,3 milhões de Nm³ anuais. Existe uma única planta de biogás no estado, instalada na capital, Manaus.

Segundo dados do Centro Internacional de Energias Renováveis (CIBiogás), o Brasil registrava 521 plantas para fins energéticos em operação no final de 2019, com volume de 1,345 bilhão de Nm³. Desse total, 76% são oriundos de RSU e estações de tratamento de esgoto (ETE). Havia outros 15 projetos em implantação e 12 em reformulação no período, somando capacidade de produção de 433,7 mil Nm3 diários.

Esse volume representa pouco mais de 1% do potencial de produção de biogás no país, que é em torno de 84,6 bilhões de Nm³ anuais considerando apenas as tecnologias disponíveis, de acordo com a Abiogás.

Sulgás lança novo edital para contratação de biometano

A Sulgás lançou, em 14 de agosto, novo edital para contratação de suprimento de biometano para 2021/2022. O chamamento público no 001/2020 substitui o edital anterior, que foi lançado em março de 2019 e oficialmente cancelado no último mês. No processo anterior, a empresa pretendia contratar 22 mil m3/dia de biometano.

A distribuidora irá receber as propostas de suprimento até 14 de setembro. De acordo com informações da empresa, a nova chamada apresenta um processo de contratação menos complexo e mais ágil em relação ao edital de 2019.

O edital está disponível no site da Sulgás.

ESTÁ POR VIR

Evento online discute GD a partir de fontes renováveis de energia

A gerente executiva da ABiogás, Tamar Roitman, será uma das debatedoras do Fórum GD da Região Norte, que será realizado em formato virtual de 23 a 25 de setembro. A executiva irá integrar o painel “GD com Fontes Renováveis I”, que também irá reunir especialistas em resíduos sólidos urbanos (RSU), recuperação energética de resíduos e pequenas centrais hidrelétricas (PCHs).

O Fórum Regional de Geração Distribuída com Fontes Renováveis é promovido pela Associação Brasileira de Geração Distribuída (ABGD), que reúne provedores de soluções, EPCs, integradores, distribuidores, fabricantes, profissionais e acadêmicos, e que tem em comum a atuação direta ou indireta na geração distribuída oriunda de fontes renováveis de energia.

Mais detalhes sobre o evento podem ser obtidos aqui.

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Sobre a Abiogás

Desde 2013, a ABiogás é o canal de interlocução entre o setor de biogás e sociedade civil, os Governos Federal e estaduais, as autarquias e os órgãos responsáveis pelo planejamento energético brasileiro.

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