ABiogás News | Abril 2020

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[:pb]Cooperativas investem no biogás e ainda captam CO2 para o processo produtivo

Duas novas usinas de geração elétrica a biogás, produzido a partir de resíduos agropecuários e alimentares, estão dando a partida. Após cerca de um ano de obras, a cooperativa Castrolanda e o grupo Unium – que reúne projetos conjuntos da própria Castrolanda e das cooperativas Frísia e Capal – inauguram plantas que vão produzir 15.600 m3 diários de biogás e têm capacidade elétrica instalada de 1.430 kW, num investimento total de R$ 17,8 milhões. Os dois sistemas já estão preparados para converter biogás em biometano e usam uma tecnologia pioneira no Brasil, desenvolvida pela CH4 Solution, que capta o dióxido de carbono (CO2) presente no biogás para outros usos.

A planta da Castrolanda entrou em operação no último dia de março no município de Piraí do Sul, no Paraná. O biodigestor foi instalado na Unidade de Produção de Leitões (UPL) e usa dejetos suínos como matéria prima, com produção de 100 m3 por hora (2.400 m3/dia). O combustível alimenta uma usina de 230 kW de potência. O sistema completo recebeu investimentos de R$ 4 milhões.

Em abril,, também dá a partida a usina da Energik Geradora de Energia, do grupo Unium, instalada em Castro (PR). O biodigestor será abastecido por dejetos suínos de um frigorífico da Alegra e por logística reversa da usina de leite da Naturalle – duas das 16 marcas alimentícias que integram a carteira da Castrolanda –, além de resíduos das unidades de batatas fritas e de lavagem de batatas da própria cooperativa. Serão 550 m3/hora (13.200 m3/dia), que vão abastecer uma geração de 1.200 kW de potência. Foram R$ 13,8 milhões investidos.

Na Castrolanda, parte da energia elétrica gerada será usada pela própria UPL. Como haverá excedente, a cooperativa, por meio de sua subsidiária Engloba Comercializadora de Energia, optou por ceder créditos via geração distribuída (como previsto na Resolução 482/2012 da Agência Nacional de Energia Elétrica – Aneel) ao banco Sicred Campo Gerais. Já na Energik, toda a geração elétrica terá cessão de créditos via GD para a Cooperativa de Geração Compartilhada de Energia Elétrica (Cogecom).

Economia com CO2 e resíduos e produção de biofertilizantes

Além da produção elétrica, os sistemas da Castrolanda e da Energik, como já foram instalados para converter biogás em biometano, podem captar um resíduo desse processo que é utilizado no sistema produtivo: o CO2. A tecnologia, instalada pela CH4 Solution, é pioneira no país. O gás será usado em frigoríficos da Alegra. Com o aproveitamento do dióxido de carbono, por enquanto apenas na planta da Energik, a economia anual chega a R$ 1 milhão – cifra gasta para adquirir gás carbônico no mercado.

Outra economia se dará com a disposição dos resíduos. Somente as indústrias que abastecem a Energik gastavam R$ 1,5 milhão por ano, em média, para descartar os resíduos que agora vão alimentar o biodigestor.

“Destinávamos os resíduos a um terceiro, não tínhamos controle ou rastreabilidade. Agora usamos esses resíduos internamente, com toda a rastreabilidade e garantia de que estamos fazendo a destinação ambientalmente correta”, explica Vinicius Fritsch, gerente de Negócios Energia da Castrolanda.

Como as plantas já produzem biometano, Fritsch conta que o combustível será usado para abastecer veículos de pequeno e grande portes. A princípio, serão feitos testes na frota do grupo Unium que deverão durar seis meses. Após isso, o uso do biometano deverá ser estendido à frota da Castrolanda.

Há ainda outra vantagem para Castrolanda e Unium, que é a possibilidade de produzir biofertilizantes. “Esse mercado vem crescendo 25% ao ano”, diz Fritsch, detalhando que a demanda pelo produto vem crescendo para substituir os fertilizantes químicos, bastante danosos ao meio ambiente, sobretudo aos recursos hídricos.

Com tantos benefícios, outros sistemas estão a caminho. “Na planta da Energik temos área suficiente para construir mais quatro biodigestores. A partir de 2021, pretendemos instalar um biodigestor por ano, chegando a cinco sistemas em 2025”, afirma o gerente da Castrolanda.

Inspiração e história

O que motivou as cooperativas a olharem com mais atenção para o biogás e o biometano foi a iniciativa de um cooperado da Castrolanda, lembra Fritsch. “Um dos nossos cooperados, Jan Haasjes, tem um biodigestor desde 2013. Ele usa os dejetos suínos de sua propriedade para gerar energia elétrica, que abastece sua chácara, e energia térmica, que aquece os barracões dos leitões. E ainda gera biometano, que abastece sua frota, e biofertilizante.”

A partir de 2016, a Castrolanda participou de missões técnicas na Europa para buscar tecnologia e desenvolver plantas. Na Itália, a diretoria da cooperativa conheceu a BTS, que posteriormente abriu uma subsidiária no Brasil – a CH4 Solution, que deu suporte para o desenvolvimento dos projetos.

A Castrolanda foi fundada em 1951 por imigrantes holandeses que se instalaram na região de Castro, no Paraná. A cooperativa reúne cerca de 1,1 mil cooperados, 3,38 mil colaboradores e 16 marcas, de variados gêneros alimentícios. Atualmente, a cooperativa tem operações na região dos Campos Gerais paranaense – em Castro, Ponta Grossa, Piraí do Sul e Ventania –, e também em Itapetininga e Itararé, no interior de São Paulo.

Já o grupo Unium foi criado em 2017, como resultado de uma parceria entre Castrolanda, Frísia e Capal. Não se trata de uma fusão das três cooperativas, mas sim de uma holding que reúne projetos conjuntos entre elas.

RESUMO DAS NOTÍCIAS DE MARÇO

Santander dá a partida na negociação de CBIOs

O banco Santander formalizou os primeiros 15 contratos de escrituração e custódia de Créditos de Descarbonização (CBIOs), no âmbito do RenovaBio. Com a assinatura dos contratos, os CBIOs já estão disponíveis para comercialização.

Os contratos foram firmados com produtores de biocombustíveis. São eles Copersucar, Tereos, São Martinho, CerradinhoBio, Da Mata Açúcar e Álcool, Usina Vale do Paraná, Japungu, Clealco, Bioenergética Aroeira, Tietê Agroindustrial, Usina Batatais, FS Bioenergia, CMAA, Bevap, Bahia Etanol (BEL) e Jalles Machado.

Até meados de março, havia 42 unidades industriais certificadas para emissão de CBIOs e 238 em processo de certificação, de acordo com os dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Três propostas na etapa final do biometano na Sulgás

A Sulgás, distribuidora de gás canalizado do Rio Grande do Sul, aprovou três propostas para a terceira e última etapa da chamada pública para contratação de biometano. A empresa não revelou os nomes das empresas responsáveis pelas propostas.

A última fase da concorrência prevê eventual negociação e assinatura de contrato de compra e venda do gás. A distribuidora vai comprar 22 mil m³/dia de biometano em três lotes em contratos de dez anos.

O primeiro lote prevê a aquisição de 3 mil m³/dia a partir de 2022 para fornecimento no município de Montenegro, na região metropolitana da capital, Porto Alegre. O segundo lote prevê 10 mil m³/dia a partir de 2021 na cidade de Lajeado, no centro-oriental gaúcho. Já o último lote, que tem fornecimento iniciando em 2022, prevê contratação customizada em municípios da área de concessão da Sulgás de 9 mil m³/dia.

“ESTÁ POR VIR”

Oportunidades para o biogás e o biometano na descarbonização urbana

O Seminário Técnico da ABiogás vai reunir especialistas e executivos do segmento para discutir o papel do biogás na descarbonização das cidades. O evento será dividido em três painéis:

– Visão geral: além de um panorama sobre o tema, este painel vai abordar os maiores desafios e a as oportunidades para o energético, bem como estudos de integração entre diferentes fontes energéticas nas cidades;

– Biogás e biometano nas cidades: este painel terá um perfil mais técnico, com apresentações de empresas que atuam no setor e exemplos do uso de biometano em frotas e injeção na rede, bem como produção de biogás e biometano em estações de tratamento e aterros sanitários;

– Apresentação de cases e aplicação de políticas públicas e financiamento: nesta etapa, o seminário irá apresentar experiências bem-sucedidas com foco na descarbonização das cidades, mostrando o processo de implantação, políticas públicas utilizadas e linhas de financiamento obtidas.

Acompanhe as novidades sobre o seminário no site da ABiogás (www.abiogas.org.br)

NOVIDADES DO SETOR

ANP determina metas compulsórias para compra de CBIOs

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) estabeleceu as metas anuais compulsórias das distribuidoras de combustíveis para compra dos Créditos de Descarbonização (CBIOs). As metas valem até 31 de dezembro. Líder do mercado de distribuição (27,09%), a BR Distribuidora terá de adquirir 7,77 milhões de CBIOs, seguida pela Ipiranga (19,8%, 5,69 milhões) e Raízen (17,91%, 5,14 milhões).

Sul pode abastecer 2,6 milhões de casas com eletricidade a biogás

A agroindústria do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul produz cerca de 89 mil m3/dia de biogás, volume com potencial de ampliação de 99%. Com isso, o biogás seria capaz de abastecer com energia elétrica cerca de 2,6 milhões de casas populares. É o que aponta o relatório “Potencial de produção de biogás no Sul do Brasil”, produzido por pesquisadores do projeto de “Aplicações do Biogás na Agroindústria Brasileira”, em parceria com o Centro Internacional de Energias Renováveis (CIBiogás).

IEA: biogás e biometano podem suprir 20% da demanda de gás

O correto aproveitamento do lixo orgânico pode fazer com que o biogás e o biometano supram 20% da atual demanda global por gás natural. É o que mostra o relatório “The Outlook for Biogas and Biomethane”, produzido pela Agência Internacional de Energia (IEA, sigla em inglês). Entre outros dados, o documento aponta que a disponibilidade de matéria-prima para produção desses biocombustíveis deve crescer 40% até 2040.[:]

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Sobre a Abiogás

Desde 2013, a ABiogás é o canal de interlocução entre o setor de biogás e sociedade civil, os Governos Federal e estaduais, as autarquias e os órgãos responsáveis pelo planejamento energético brasileiro.

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