ABiogás News – Março 2021

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Preços dos combustíveis podem estimular oportunidades para o biometano  

 

Mesmo com as incertezas sobre o plano brasileiro de imunização contra a Covid-19 e a recuperação econômica esperada com o arrefecimento da pandemia a partir das vacinas, o debate energético no país ganhou força nos primeiros meses de 2021. O principal motivo foram os reajustes dos combustíveis promovidos pela Petrobras, com base no Preço de Paridade de Importação (PPI), que considera as cotações do barril do petróleo e do dólar para precificar os derivados de petróleo que comercializa no Brasil. A escalada dos preços fez o governo federal trocar o comando da companhia e suspender a cobrança de PIS/Confins de diesel e GLP, numa tentativa de segurar os aumentos – que somam 54% na gasolina e 41,6% no diesel apenas no período de 1º de janeiro a 9 de março.

 

Mas, se por um lado os preços dos combustíveis, sobretudo do óleo diesel, provocaram indignação em algumas categorias profissionais, como os caminhoneiros, que ameaçaram uma nova greve em fevereiro, por outro chamaram a atenção para substitutos energéticos que podem ganhar mais espaço na matriz e no mercado brasileiros. Neste contexto, o biometano se torna um bom candidato na substituição deste derivado de petróleo em seu uso veicular e nos transportes pesados, com ganhos ambientais e mesmo econômicos.

 

De acordo com Gabriel Kropsch, vice-presidente da Associação Brasileira do Biogás (ABiogás), o biometano tem potencial de substituir até 70% de todo o consumo de diesel no Brasil. O executivo ainda aponta que o gás renovável gera uma economia entre 20% e 30%, quase R$ 1 por litro equivalente de diesel. A redução de emissões de CO2 pode chegar a 96% na substituição do combustível fóssil. Sem falar na redução de emissões de metano, gás de efeito estufa cerca de 23 vezes mais impactante que o dióxido de carbono, oriundas de aterros sem controle e lixões a céu aberto.

 

Gabriel diz que biometano poderia substituir 70% do diesel

 

Empreendedores que já apostavam no potencial do biocombustível no setor de transportes do Brasil começam a vislumbrar oportunidades para planos mais ambiciosos. Atuando em segmentos variados da cadeia produtiva do biogás, Convergas, IGas, Gás Verde e Scania estão atentos não apenas aos preços dos combustíveis, mas à crescente pressão para a transição energética global a partir da pandemia. Ainda há muitas questões a serem resolvidas, como a correta valoração dos ganhos ambientais e a aprovação da Lei do Gás, mas essas empresas consideram o momento bastante favorável para a expansão dos negócios.

 

“O momento é agora”

 

O novo caminhão a gás da Scania

 

A montadora sueca Scania foi pioneira em fabricar no Brasil caminhões movidos a gás natural e a biometano destinados ao mercado nacional. A empresa desenvolve motores a gás desde os anos 1940, e na década de 1970 ônibus a gás da montadora começaram a circular na Suécia.

 

No Brasil, a oferta dos caminhões a gás ao mercado começou em 2019, com expectativa de fechar o ano seguinte com 100 unidades vendidas. Mas, mesmo que as vendas tenham sido um pouco afetadas pela pandemia – até o início de março, a montadora somava 70 unidades vendidas –, os investimentos na produção dos veículos se mantiveram inalterados, contou Gustavo Bonini, diretor Institucional da Scania Latin America.

 

“A pandemia foi um momento desafiador, mas não mudamos nossos planos. Acreditamos que o futuro não vai ser elétrico, vai ser eclético. Haverá espaço para todos os energéticos, inclusive para o biometano. E é o momento exato para o biometano. O Brasil tem um potencial imenso de produção, tem vocação para o produto, no agronegócio, nos resíduos sólidos, no tratamento de esgoto. Seu aproveitamento é o melhor exemplo de economia circular. Por isso vemos grandes oportunidades. O momento é agora”, disse o executivo.

Para Gustavo Bonini, o momento do biometano é agora

A Scania mantém no Brasil uma equipe de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) com cerca de 250 engenheiros, que lideram o desenvolvimento tecnológico global da montadora. A expertise em gás natural e biometano já rendeu bons frutos, como a produção e a exportação de mais de 2 mil ônibus articulados à base desses combustíveis para a Colômbia. Aqui, a empresa lançou recentemente o primeiro ônibus rodoviário/de fretamento do país a GNV/biometano, que foi encarroçado pela Marcopolo e começou a circular no Rio Grande do Sul.

 

No transporte de passageiros, a Scania já fez demonstrações de seus ônibus em Franca e São Paulo (SP), Rio de Janeiro, Fortaleza (CE), Foz do Iguaçu (PR) e Salvador (BA). Segundo Bonini, a expectativa é que haja novos acordos com governos estaduais e municipais para levar a tecnologia a outras localidades do país. “Vemos as cidades cada vez mais discutindo o uso do gás nos transportes públicos”, ressaltou.

 

Outra possibilidade para o gás e o biometano que entrou no radar da montadora é a substituição da frota de caminhões que circulam no país. Segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), há mais de 470 mil caminhões na frota brasileira com idade superior a 25 anos. Por isso, Bonini acha fundamental uma política governamental de renovação da frota.

 

“Anualmente, gastamos cerca de R$ 62 bilhões por causa dessa frota envelhecida. São acidentes, doenças respiratórias provocadas pela poluição maior que esses veículos causam, trânsito congestionado por causa de panes desses veículos. A substituição desses caminhões mais antigos por veículos novos já seria vantajosa mesmo que fosse trocar uma unidade a diesel por outra com o mesmo combustível. Mas as vantagens serão ainda maiores com um incentivo adicional para veículos com tecnologias limpas, como a do biometano”, avaliou Bonini.

 

Uma cadeia inteira à disposição

 

Intalações da Convergas

 

Fundada em 1992 para atuar na conversão de automóveis ao uso do GNV, a Convergas levou cerca de dez anos para entrar no mercado de veículos pesados a GNV, que hoje é seu core business.

 

“Em 2002, o preço do gás natural quase triplicou, e o mercado estava saturado, inclusive com muitas oficinas sem certificação atuando. Nesse momento, enxugamos a estrutura e começamos a desenvolver sistemas a gás para veículos pesados. Não deixamos de atuar com veículos leves, mas eles se tornaram economicamente interessantes somente para frotas, ou seja, B2B”, lembrou André Bermudo, diretor de Negócios da empresa.

 

A Mercedes já havia encomendado à companhia um projeto para veículos pesados, a partir de uma encomenda da Prefeitura de São Paulo feita à montadora para 400 ônibus a gás, dos quais 200 foram implementados. E em 2004, a Convergas firmou parceria com a Iveco e desenvolveu uma linha completa de sistemas a gás para ônibus e caminhões que a montadora exportou inicialmente para a Venezuela, e posteriormente para a Argentina e outros países da América do Sul. De acordo com o executivo, foram cerca de 1.000 veículos pesados com sistemas a gás da Convergas exportados pela Iveco entre 2004 e 2016. Nesse período, a empresa também desenvolveu projetos para a MAN e a Scania, todos voltados ao exterior.

 

Em 2012, a Mercedes voltou a procurar a empresa para uma demanda de exportação. O desenvolvimento da Convergas equipou mais de 200 veículos pesados exportados pela montadora para a África do Sul. Houve vendas também para a Indonésia, o Peru e o Egito.

 

Nesse mesmo ano, a Convergas desenvolveu uma plataforma que a empresa nomeou como diesel-gás. “Como as montadoras estavam focadas para o mercado externo, pensamos nesse modelo para expandir o uso do gás no Brasil. O sistema desenvolvido com alta tecnologia e constantes melhorias eletrônicas, promove a substituição parcial do diesel, que varia entre 30 a 45%, dependendo da operação o qual é submetido o veículo. A taxa de substituição em motores estacionários pode chegar em até 80%. Essa é uma solução intermediaria entre os modelos Diesel e 100% Gás. Em função do baixo custo de investimento, a tecnologia vem se demostrando como uma alternativa economicamente viável, somado ao fato de não causar interferências significativas na mecânica do veículo, sendo totalmente reversível a originalidade de fábrica”, contou André. 

 

No entendimento da Convergas, para acelerar a adoção do uso do Gás Natural em veículos pesados, primeiramente é necessário promover a experiência do produto com os clientes, sendo o Diesel-Gás uma ótima opção. Atualmente, há poucos veículos em operação no Brasil com o equipamento instalado, contudo há uma crescente procura pela tecnologia. Clientes como Ambev, FEMSA, São Martinho, Suzano Papel e Celulose, Citrosuco, Coopercarga e outros diversos embarcadores e transportadoras já iniciaram a transformação de suas frotas.

 

Embora ressalte que o Brasil ainda engatinha no aproveitamento do gás no transporte veicular, sobretudo pela questão do preço e, no caso do biometano, da ausência de políticas de estímulo ao uso do energético em veículos, Bermudo se mostra confiante com as perspectivas de aumento da oferta a partir do pré-sal e do aproveitamento do gás verde. Para ele, o biometano é um indutor de mercados, por sua capacidade de produção regional e a facilidade de transporte.

André Bermudo acredita que o biometano é ouro nas mãos

 

“O biometano é outro ouro que temos nas mãos. Temos uma cadeia inteira à disposição. É uma tecnologia já conhecida, que vem sendo aprimorada com o tempo. O biometano é incomparavelmente melhor, sobretudo quando olhamos para emissões. Com ele, podemos ter uma cadeia do ‘poço’ à ‘roda’. Além de quase zerar as emissões atmosféricas”, avaliou.

 

“Gasodutos virtuais” abrem espaço para o gás verde

 

Carretas para transporte de gás natural comprimido (GNC)

 

No Brasil desde 2000, a argentina IGás é especializada na fabricação e operação de carretas para transporte de gás natural comprimido (GNC). A empresa oferece diversas soluções para os mercados de gás natural e biogás/biometano, e já fabricou cerca de 60 “gasodutos virtuais”, como são conhecidos os caminhões que transportam gás comprimido, tanto para o mercado brasileiro como para o exterior. A expectativa da empresa é que esses volumes cresçam rapidamente a partir da aprovação da Lei do Gás e da expansão da produção de biogás e biometano no país.

 

“Todo esse potencial de biogás e biometano que o Brasil tem vai deslanchar. A tendência é vermos uma participação cada vez maior das renováveis na matriz energética, e não será diferente com esses combustíveis. E o gasoduto virtual terá um papel fundamental nessa expansão”, disse Hernán Zwaal, diretor de Negócios Internacionais e Desenvolvimento do Grupo IGás.

Hérnan acredita que o potencial do biogás vai deslanchar

Atualmente, a empresa comercializa e distribui mensalmente entre 1,5 milhão a 2 milhões de m3 de gás natural por mês. No momento, quase todo o produto transportado é de origem fóssil. Mas, em seu planejamento estratégico para o período 2021-2025, a IGás prevê que o biometano vai ocupar 50% desse mix energético. Já em 2021, a expectativa da companhia é encerrar o ano com 500 mil m3 de biometano em sua carteira.


“É uma meta ambiciosa, mas é realizável. Pelos projetos desenvolvidos e em desenvolvimentos, achamos que é possível chega a esse mix, ou até mesmo superar esse percentual, com o biometano ocupando mais da metade de nossa capacidade. Vamos ter molécula disponível no interior do país e vamos precisar escoar esse gás enquanto não houver redes para isso”, avaliou Zwaal.

 

É a descentralização da produção do biometano que baseia a análise do executivo. No Brasil, o gás de origem fóssil está concentrado no pré-sal, região marítima a cerca de 200 quilômetros da costa. Isso exige investimentos não apenas em sua produção, mas em infraestrutura de escoamento e distribuição – o que não costuma ser nada barato. E, claro, depende de um mercado consumidor para consumir esse energético.

 

 

 

“O investimento em redes é feito quando há uma massa representativa de consumidores. Além do alto investimento inicial. Já o gasoduto virtual permite a remuneração a partir do momento zero. A carreta toma o gás onde ele está, transporta esse gás para uma cidade, montamos uma planta satélite e a distribuidora cria uma rede secundária para conexão de clientes. O Capex é diluído por toda a malha de consumidores. Assim, em até quatro anos é possível criar um mercado robusto. Por isso a própria ANP considera os gasodutos virtuais como projetos estruturantes”, explicou Zwaal.

 

Em relação ao biometano, o executivo aponta como principais barreiras a falta de conhecimento técnico sobre o negócio, a falta de políticas públicas de incentivo ao seu uso e o custo das tecnologias aplicadas, ainda quase 100% importadas.

 

“Hoje a maioria dos fornecedores estão fora do país. Se há algo que não queremos repetir são os problemas que o mercado de gás sofreu por muito tempo, com equipamentos de segunda mão. O fato de não termos tecnologia nacional desacelera o mercado. E sem tecnologia, também não temos a mão de obra especializada. Que vem de fora, paga em dólar, em euro. E isso é custo”, apontou.

 

Ainda assim, para Zwaal, o momento é de deslanchar o mercado do gás verde. Sobretudo diante da pressão sobre os preços dos combustíveis fósseis, com a alta volatilidade do petróleo no mercado internacional e a disparada do dólar no Brasil. Sem contar com os ganhos ecológicos.

 

 

“Há uma clara pegada econômica no biometano, que é um combustível mais barato, sem qualquer relação com o petróleo ou o dólar. Isso dá estabilidade e segurança, tanto no preço quanto no abastecimento. Ele também tem um aspecto social. É mais ecológico, e assim vamos melhorar a qualidade de vida das pessoas. Além da necessidade de mão de obra especializada, o que vai aumentar a formação de pessoal e a geração de emprego e renda”, sentenciou.

 

“Prêmio verde” pode deslanchar o mercado

 

 

Usina da Gás Verde

 

A Gás Verde detém hoje a maior planta de biometano do país, contou o diretor da companhia, Wagner Nunes Martins Júnior. A unidade, que recebeu R$ 500 milhões em investimentos, foi instalada no aterro sanitário de Seropédica (RJ), da Ciclus Ambiental e tem capacidade instalada de 200 mil m3/dia. O energético produzido na planta atualmente é adquirido por três clientes, sendo dois do setor veicular e um do segmento industrial – o executivo prefere não revelar os nomes das empresas.

 

A planta vem operando com cerca de 50% a 60% de sua capacidade total. Por isso, Martins Júnior ressalta que a meta para 2021 é ocupar 100%, negociando o biometano com outros clientes. Em outra frente, a Gás Verde espera a regulamentação do mercado livre do gás para poder injetar sua produção nas redes. “Estamos a oito quilômetros de um gasoduto. Basta as regras serem definidas para que usemos essa estrutura para escoamento”, explicou o executivo.

 

Outro projeto já definido para este ano é a partida de uma termelétrica de 5 MW de potência instalada, sob responsabilidade de um dos clientes atuais da Gás Verde, que vai utilizar o tail gas, subproduto do processo de purificação do biometano. A expectativa é que a planta comece a operar em meados de 2021.

 

A companhia ainda realiza estudos para implantar futuramente uma unidade de purificação de CO2. No momento, a Gás Verde está verificando o potencial de mercado para o produto, fornecedores de equipamentos e a viabilidade econômico-financeira da planta. A expectativa, afirmou Martins Júnior, é concluir a análise em 2022.

 

Diante dos planos, não é preciso dizer que o executivo acredita no potencial do biometano. Mas ele pontua que é preciso que o poder público crie condições para que o gás verde seja mais atrativo tanto para produtores como para consumidores. Ele cita como exemplo uma sugestão dada pelo megaempresário norte-americano Bill Gates.

Wagner defende que o poder público crie condições para o gás verde

“O poder público ainda não enxergou a necessidade de se ter um ‘prêmio verde’ para as renováveis. Peguei essa ideia do Bill Gates, que usou esse termo. O combustível renovável pode ser competitivo, mas precisa ter escala. Para isso, é preciso reduzir tarifas e aumentar as fontes de financiamento”, explicou Martins Júnior.

 

Assim como Zwaal, da IGás, o diretor da Gás Verde frisa o poder do biometano na substituição dos derivados de petróleo, pelo fato de não ter sua precificação atrelada ao petróleo e ao dólar. “Nosso maior custo para produzir biometano é com o biogás que purificamos e a energia elétrica que usamos no processo. E ambos não têm ligação com petróleo e dólar. Ou seja, temos previsibilidade nesses custos.”

 

Para Martins Júnior, a transição energética vai se acelerar com a pandemia, e isso será a chance para os projetos de energia renovável, entre eles biogás e biometano. E no caso brasileiro, o país dispõe de matéria-prima em abundância para a produção de ambos.

 

“Acredito que o biometano terá grande peso nos veículos pesados, em equipamentos e na indústria. E suas fontes de origem são infinitas. O biometano de aterro sanitário é um exemplo. Lixo vai existir sempre. E quanto maior o poder aquisitivo de um país, mais lixo ele gera. Ou seja, aproveitar o biometano é mais uma possibilidade de monetização dos aterros sanitários.”

 

Resumo

 

ABiogás é selecionada por incubadora para criar oportunidades de recuperação econômica sustentável

 

 
O Global Innovation Lab for Climate Finance (Lab – Laboratório Global de Inovação para Finanças Climáticas) selecionou seis novos instrumentos financeiros climáticos para seu programa de aceleração de 2021. Dois deles são do Brasil, entre os quais o Fundo Garantidor para Projetos de Biogás (Guarantee Fund for Biogas Projects), apresentado pela ABiogás.
 

 

O Fundo Garantidor do Biogás visa fornecer garantias financeiras exigidas por bancos privados e públicos para projetos de biogás. As ideias selecionadas passarão por um período de sete meses de análise, teste de resistência, desenvolvimento e preparação. Os empreendedores receberão orientação e apoio de líderes dos setores público e privado, que contribuem com sua experiência, capital político e capital financeiro para os instrumentos.
 

 

A ideia do Fundo Garantidor para Projetos de Biogás surgiu pela primeira vez no Plano Nacional para o Biogás e Biometano (PNBB), elaborado pela ABiogás em 2014. Segundo o presidente da entidade, Alessandro Gardemann, um dos grandes desafios para captar recursos para projetos de biogás hoje é a alta garantia solicitada pelas instituições financeiras. Por isso, a associação apresentou a proposta de um fundo para reduzir o risco dos bancos e aumentar o acesso ao crédito.
 

 

“O grande desafio é estruturar e dar garantia para o projeto de biogás durante os dois anos de construção. Nosso objetivo com a proposta ao Lab é estruturar um fundo garantidor de projetos tecnicamente bem embasados para alavancagem, implantação e desenvolvimento, com viabilidade técnica e econômica. Recursos existem, como debêntures incentivadas, green bonds, Fundo Clima do BNDES. O que falta é mostrar ao mercado o que o biogás pode fazer, como pode fazer e prestar as garantias necessárias. Quando os investidores virem que já há mais de R$ 700 milhões aplicados e que a capacidade técnica está comprovada e madura, estes recursos em potencial vão surgir”, explicou Gardemann.
 

 

O Lab é uma iniciativa liderada por investidores que identifica, desenvolve e lança soluções promissoras para direcionar investimentos públicos e privados críticos para a ação sobre mudanças climáticas nas economias em desenvolvimento. A competição anual do Lab seleciona ideias promissoras em estágio inicial para investimento sustentável e desenvolve rapidamente essas ideias em investimentos e modelos de negócios escaláveis e financiáveis.
 

 

No seu sétimo ano, o Lab priorizou instrumentos que possam atrair investimentos sustentáveis e criar oportunidades para uma recuperação econômica verde pós-Covid-19. Os projetos de 2021 foram escolhidos de uma lista altamente competitiva, de 160 propostas apresentadas por instituições financeiras líderes de desenvolvimento, ONGs globais, desenvolvedores de projetos proeminentes, gerentes de ativos e empresas de serviços financeiros, e empresários.
 

 

Desde a sua criação em 2014, o Lab tornou-se líder na aceleração de investimentos onde é mais necessário, tendo lançado 49 instrumentos financeiros que já mobilizaram US$ 2,4 bilhões para projetos concretos em economias emergentes. Isso inclui US$ 370 milhões investidos por membros do Lab — que incluem mais de 70 instituições governamentais, financeiras de desenvolvimento, filantropia e setor privado — e US$ 2 bilhões de investidores adicionais.
 

 

O segundo projeto brasileiro selecionado pelo Lab é o Amazonia Sustainable Supply Chains. Proposto pela Mauá Capital, ele oferece financiamento antecipado para fornecedores de insumos em cadeias de valor sustentáveis na Amazônia.
 

 

BNDES lança programa para estimular investimentos em gás natural e biogás/biometano
 

 

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) lançou o Programa BNDES Gás, que reúne uma gama de soluções financeiras para estimular investimentos em gás natural e biogás/biometano. O programa é composto por linhas de crédito voltadas à ampliação da infraestrutura e da oferta de gás, do uso industrial e termelétrico do produto e da utilização em veículos pesados.
 

 

O Programa BNDES Gás é abrangente, mas a ideia é que o banco não seja o único provedor de financiamento. “Nos grandes projetos, devemos fazer uma sindicalização para não arcarmos sozinhos com esses investimentos”, explicou Andre Pompeo, gerente do Departamento de Gás, Petróleo e Navegação do banco, em evento no fim de fevereiro.
 

 

Segundo Pompeo, o programa não se resume às linhas de crédito, estendendo o apoio ao lançamento de debentures de infraestrutura para financiamento dos projetos.
 

 

A parte destinada à geração termelétrica a gás natural inclui financiamento a projetos greenfield, com valor mínimo de R$ 40 milhões, participação de até 80% do BNDES no total, limitada a 100% dos itens financiáveis, e com prazo máximo de amortização de 24 anos.
 

 

Oferta – O banco também divulgou o segundo relatório do Programa Gás para o Desenvolvimento, apontando que a oferta doméstica de gás natural, considerando os campos atuais e potenciais de gás, deve atingir o pico em 2033, com 124 milhões de m3/dia.
 

 

A indústria é apontada como a principal âncora de demanda firme, e tem tendo demonstrado interesse em duplicar o consumo atual de gás até 2030, disse Camila Lima, gerente da Área de Governo e Relacionamento Institucional do BNDES. O consumo previsto pelo setor industrial para o final da década é superior a 70 milhões de m³/dia.
 

 

Os investimentos necessários em nova plantas, expansões, adaptações e modernizações são estimados em R$ 35 bilhões. Da demanda mapeada da indústria, 85% vêm de empresas com interesse em firmar contratos de longo prazo (maior ou igual a dez anos). O levantamento do BNDES junto à indústria mostra ainda que 79% das empresas que responderam à pesquisa do banco pretendem ser consumidores livres.
 

 

O relatório também conclui que as termelétricas poderão ter papel relevante na demanda de gás, sobretudo com aprimoramentos regulatórios. Considerando uma demanda de usinas com 80% de despacho e economicamente competitivas, é estimado um consumo entre 12,8 milhões e 17,6 mm³/dia.
 

 

O documento ainda destaca que a ampliação da integração do setor elétrico com o mercado de gás natural passa por medidas como flexibilização de regras sobre comprovação de disponibilidade de combustível nos leilões; atualização da Tarifa de Uso do Sistema de Transmissão (Tust) para contemplar o melhor sinal locacional; aumento do horizonte de contratação termelétricas, com a realização de leilões A-7; aprovação de propostas de modernização do setor elétrico que tratam da contratação de lastro e energia; fim da limitação de inflexibilidade para usinas e adoção de ferramenta integrada de otimização no planejamento de expansão dos setores de gás e energia elétrica.
 

 

Distribuidoras de gás do Centro-Sul lançam chamada pública para contratação até 2024
 

 

As distribuidoras de gás que atuam na região Centro-Sul lançaram no início de março chamada pública para a aquisição de gás natural com volume projetado que deve superar 6 milhões de m³/dia até 2024. Juntas, MSGás (MS), Gas Brasiliano (SP), Compagás (PR), SCGás (SC) e Sulgás (RS) respondem por 15% do mercado de distribuição de gás no Brasil, atendendo mais de 140 mil consumidores.
 

 

A concorrência tem potencial de contratação de até 3,5 milhões de m³/dia no biênio 2022-2023, para completar os volumes de gás já contratados pelas companhias. A partir de 2024, no entanto, os volumes são indicativos e projetam o atendimento potencial dos mercados de cada estado, podendo superar então a casa de 6 milhões de m³/dia.
 

 

É a segunda chamada pública realizada pelas distribuidoras do Centro-Sul. A primeira acabou contratando apenas com a Petrobras. YPFB, Shell, Petrobras, Total, Golar e Repsol foram selecionadas até a terceira etapa da chamada anterior, com previsão de aquisição de 10 milhões de m3/dia feita, mas não conseguiram fechar contratos.
 

 

“Com a primeira chamada pública foi possível uma aproximação com os agentes do mercado, aprofundar os estudos técnicos relacionados à contração do suprimento e identificar diversos desafios que impedem a evolução sustentável do mercado de gás, principalmente os ligados ao transporte e regulação do setor. É preciso a implantação de mecanismos que proporcionem maior segurança jurídica e contratual para mitigar os riscos envolvidos nas operações para que possamos ofertar ao mercado um fornecimento de gás em condições mais competitivas e de fato seguirmos para um mercado aberto no país”, disse Rafael Lamastra Jr, diretor-presidente da Compagás.
 

 

 
Em manifesto pela GD, entidades dão apoio ao substitutivo do deputado Lafayette de Andrada
 

 

A ABiogás integra o grupo de 14 associações e entidades que atuam no segmento de geração distribuída (GD) renovável que lançou manifesto público em apoio ao substitutivo do deputado federal Lafayette de Andrada (Republicanos/MG), relator do projeto de lei (PL) 5829/2019, do deputado Silas Câmara (Republicanos/AM).
 

 

O PL propõe um novo regramento para o desconto nas tarifas de transmissão (Tust) e distribuição (Tusd), garantindo o benefício para investimentos em GD por prazo maior do que os propostos pela Aneel na revisão da Resolução Normativa (REN) 482/2012, que regula a micro e a mini geração distribuída. As entidades que assinam o documento têm tido reuniões com a agência reguladora, mas as negociações “geraram pouco resultado” – o que justifica o apoio ao substitutivo.
 

 

O manifesto afirma que “o Sistema de Compensação de Energia Elétrica (SCEE), criado pela Resolução Normativa nº 482/2012 (REN 482), permite aos consumidores gerar a sua própria energia elétrica a partir de fontes renováveis, com a compensação de créditos equivalentes em sua conta de luz. Essa possibilidade é cada vez mais relevante aos consumidores de todos os segmentos, que encontram na geração distribuída uma alternativa eficaz, eficiente e sustentável para reduzir os gastos com energia elétrica”.
 

 

O texto explica que “o crescimento desta solução se converte em benefícios para toda a sociedade. Pela ótica socioeconômica, a geração distribuída gera milhares de novos empregos e renda aos brasileiros: de 2012 a 2020, foram mais de 140 mil novos postos de trabalho criados. A economia trazida pela geração distribuída aos consumidores e os empregos e renda por ela proporcionados criam um ciclo virtuoso de desenvolvimento: ao reinjetar dinheiro na economia e estimular o consumo, a arrecadação tributária foi de R$ 5,9 bilhões neste mesmo período. Em investimentos, foram trazidos ao Brasil muito mais de R$ 23,1 bilhões até 2020 para a geração distribuída, com projeção de atrair mais de R$ 16,7 bilhões somente em 2021.
 

 

Pela ótica elétrica, continua o manifesto, “a geração próxima ao consumo reduz perdas elétricas, alivia a operação do sistema em períodos de alta demanda, ajuda a economizar água nos reservatórios das hidrelétricas, reduz a utilização das termelétricas (mais caras e poluentes), posterga investimentos em redes de distribuição e transmissão, reduz custos de manutenção e posterga novos custos. Pela ótica ambiental, amplia a geração limpa e renovável de eletricidade e reduz o uso de fontes fósseis, mais caras e emissoras de poluentes e de gases de efeito estufa”.
 

 

As entidades reforçam que a Resolução no 15 do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), publicada em 24 de dezembro de 2020, traz cinco diretrizes fundamentais para a construção de políticas públicas voltadas à micro e mini GD no país: acesso não discriminatório às redes de distribuição; segurança jurídica e regulatória; alocação justa dos custos de uso da rede e encargos considerando os benefícios da GD; transparência e previsibilidade com agenda e prazos para revisão das regras; e gradualidade na transição com passos intermediários para o aprimoramento das regras.
 

 

Com base nessas diretrizes, as entidades avaliam ser prematuro fazer qualquer alteração nas regras do SCEE. “Contudo, tendo em vista o rumo das negociações com a Aneel (que geraram pouco resultado), entendemos também que o texto proposto pelo Deputado Lafayette apresenta uma solução viável, capaz de assegurar a continuidade do crescimento do setor – e, por consequência, de todos os benefícios que ele traz à sociedade – e de dar a segurança jurídica tão necessária aos empreendedores”.
 

 

A expectativa é que “o texto poderá ser aprimorado ainda mais por meio das emendas parlamentares – por exemplo com a inclusão de uma porcentagem de penetração mínima da geração distribuída como gatilho às alterações propostas”.
 

 

Está Por vir  
 

 

A ABiogás está planejando para junho a realização da edição 2021 de seu Seminário Técnico. O evento é realizado anualmente e reúne especialistas, empreendedores e investidores do mercado de biogás e biometano para discutir os rumos, as possibilidades e os obstáculos para a expansão desses combustíveis na matriz energética brasileira.  

 

Diante das incertezas em relação à vacinação contra a Covid-19 no Brasil, a associação está prevendo que, assim como em 2020, a edição deste ano seja realizada em formato virtual.  

 

No ano passado, o Webinar Técnico teve como tema “O papel do biogás na descarbonização das cidades”. O seminário foi realizado em cinco sessões diárias, sempre às 17h, com mediação da equipe da própria ABiogás.  

 

Novidades do Setor  

 

Sanepar fará aproveitamento de biogás em estação de esgoto em Londrina

 

http://www.aen.pr.gov.br/modules/noticias/article.php?storyid=110921&tit=Sanepar-fara-aproveitamento-de-biogas-em-estacao-de-esgoto-em-Londrina  

 

Charrua converte 100% de sua frota de caminhões para GNV e biometano

 

http://www.automotivebusiness.com.br/noticia/32461/com-mais-seis-scania-charrua-converte-100-da-frota-para-o-gas  

 

Primeiro ônibus rodoviário do Brasil movido a GNV e biometano começa a circular no Rio Grande do Sul

https://www.acidadeon.com/auto-on/noticias/NOT,0,0,1579842,primeiro-onibus-movido-a-gas-ja-esta-rodando-no-sul.aspx  

 

 

HIGHLIGHTS

 

  70%

 

Potencial de substituição do diesel fóssil pelo biometano na frota brasileira de veículos pesados, de acordo com dados da ABiogás  

 

500 mil m3

 

Volume mensal de biometano projetado para o fim de 2021 pela IGás em sua carteira de comercialização e distribuição de GNC  

 

70

 

Caminhões a gás natural e biometano comercializados pela Scania até março de 2021

 

Comente aqui:

Sobre a Abiogás

Desde 2013, a ABiogás é o canal de interlocução entre o setor de biogás e sociedade civil, os Governos Federal e estaduais, as autarquias e os órgãos responsáveis pelo planejamento energético brasileiro.

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