ABiogásNews – Outubro de 2020

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ABiogásNews | Outubro de 2020

BioGNL a caminho: Golar Power vai contratar 5 milhões de m³/dia de biometano

Uma semana após o aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para a criação da parceira entre Golar Distribuidora e BR Distribuidora no mercado de gás natural liquefeito (GNL), a Golar lançou um edital para contratar 5 milhões de m3/dia de biometano. Com a chamada, a empresa pretende incentivar projetos renováveis de produção e purificação de biogás a partir das mais diversas fontes no país, visando à interiorização do gás natural por meio da distribuição de biometano na forma liquefeita (BioGNL) em pequena escala por modais rodoviários e cabotagem. O biometano é equivalente e intercambiável com o gás natural, portanto pode ser utilizado nas mesmas condições e aplicações que o combustível fóssil. Todos os documentos e detalhes da chamada pública lançada pela Golar Power podem ser vistos aqui.

Segundo Marcelo Rodrigues, vice-presidente executivo da Golar Power SSLNG para a América Latina, os contratos de fornecimento fechados entre a empresa e os projetos selecionados terão duração de dez anos. Poderão participar da chamada pública todos os produtores de biometano instalados no país, desde que cumpram as exigências contidas no termo de referência disponibilizado pela Golar e a regulação referente às especificações técnicas do produto estabelecida pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Até o dia 30 de outubro, os interessados deverão enviar à Golar a Declaração de Interesse e Confidencialidade. Após isso, a empresa irá abrir canais diretos e exclusivos com os concorrentes. A data final para o envio da proposta comercial de venda de biometano é 14 de dezembro.

A Golar Power desenvolveu o projeto de distribuição do GNL em pequena escala (small scale), com caminhões movidos a gás liquefeito. Assim, a empresa será simultaneamente a provedora do combustível e fará a distribuição do BioGNL em iso-contêineres para o interior do país e via cabotagem. A parceria com a BR Distribuidora está alinhada a este objetivo, além das próprias companhias distribuidoras de gás estaduais, responsáveis pelas redes estruturantes em regiões que não têm gás canalizado.

Rodrigues, da Golar Power, participou de um webinar especial para o lançamento da chamada pública para biometano, em 1º de outubro, durante o 3º Fórum Sul-Brasileiro do Biogás e Biometano. No evento virtual, o executivo reforçou que o BioGNL é complementar ao gás natural distribuído por gasodutos. Mas, pelo fato de 95% das cidades brasileiras não terem acesso a redes de gás, ainda muito concentradas no litoral e em grandes capitais, o gás liquefeito é fundamental para interiorizar o energético. E a preços competitivos.

“Já no fim deste ano, teremos BioGNL no estado de São Paulo, a partir do biometano gerado em um aterro sanitário. Tenho certeza de que o BioGNL é muito competitivo. O mercado tem um potencial significativo, e sem competir com o gás natural e com gasodutos”, disse Rodrigues.

RESUMO DAS NOTÍCIAS DE SETEMBRO

GD pode atrair R$ 70 bi em investimentos em dez anos, estima a EPE

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) lançou o Caderno “Micro e Mini Geração Distribuída (MMGD) e Baterias”, parte do trabalho de elaboração do Plano Decenal de Energia (PDE) 2030, feito pela empresa. O documento prevê que os investimentos em MMGD podem chegar a R$ 70 bilhões nos próximos dez anos, com a modalidade atingindo capacidade instalada de 24,5 gigawatts (GW).

A EPE considerou dois cenários em suas projeções. Os números acima constam do “Cenário Verão”, mais positivo, que considera a manutenção de políticas de incentivo para a instalação de MMGD e poucas alterações regulatórias. Nessa projeção, em 2022 todos os novos geradores deixariam de compensar a parcela Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição (TUSD) Distribuição no Sistema de Compensação de Energia Elétrica (SCEE), mantendo as demais compensações. E em 2026, todos os novos geradores são submetidos a um novo faturamento na baixa tensão, que passa a cobrar as parcelas TUSD Transmissão e Distribuição de forma não volumétrica.

Assim, de acordo com o levantamento da EPE, o Brasil irá atingir 3 milhões de consumidores com MMGD, considerando o “Cenário Verão”. A capacidade instalada total, de 24,5 GW, será majoritariamente formada por sistemas fotovoltaicos (93%), seguidos de centrais hidrelétricas geradoras (CGHs), com 4%; termelétricas, com 2%; e centrais eólicas, com 1%.

Projeções mais moderadas da EPE, que consideram a retirada de incentivos a MMGD, integram o que a empresa chama de “Cenário Primavera”. Nele, a partir de 2022 todos os novos geradores passam a compensar apenas a parcela Tarifa de Energia (TE) Energia e são submetidos a um novo faturamento na baixa tensão, que passa a cobrar as parcelas TUSD FIO A e FIO B de forma não volumétrica.

Com o fim dos incentivos, o “Cenário Primavera” projeta investimentos de R$ 50 bilhões até 2030, com o número de consumidores com MMGD atingindo 2 milhões de clientes.

RenovaBio chega a 10 milhões de CBIOs emitidos

O RenovaBio, atingiu a marca de 10 milhões de créditos de descarbonização (CBIOs) validados na Plataforma CBIO no dia 30 de setembro, informou a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O número representa 67% do total de 14,9 milhões de CBIOs estabelecido como meta para os anos de 2019 e 2020 pelas Resoluções nº 15/2019 e nº 8/2020 do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).

O mês de setembro registrou o recorde de CBIOs validados na Plataforma (2,2 milhões), elevando a média de certificados gerados nos últimos três meses para 2 milhões/mês. Se mantida essa tendência de crescimento, a expectativa é que se tenha CBIOs suficientes para atingir a meta para 2019 e 2020 até o início de dezembro.

As primeiras operações de aposentadoria do título ocorreram em agosto e setembro, sendo 103.700 aposentados por parte obrigada. A aposentadoria de um CBIO ocorre quando seu detentor o retira definitivamente do mercado, impedindo qualquer negociação futura. Os distribuidores de combustíveis fósseis são as partes obrigadas ao cumprimento de metas individuais no RenovaBio. O cumprimento de suas metas se dá pela quantidade de CBIOs por eles aposentados.

Mesmo com redução de 50% das metas compulsórias de CBIO, valor do certificado sobe

Foi publicada em setembro a revisão das metas do RenovaBio, aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) em 18 de agosto. Reduzidas em 50%, as obrigações de compra passaram de 29 milhões de créditos de descarbonização (CBIOs), para 14,5 milhões, conforme proposta apresentada pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e que dividiu distribuidoras de combustíveis fósseis e produtores de biocombustíveis.

A nova regra vale para comercialização de combustíveis fósseis em 2019 até 31 de dezembro deste ano, que devem ser compensados com a compra de CBIOs. Para 2021, a meta é de 24,86 milhões de certificados, e para 2030, de 90,67 milhões. A partir de 2022, passa a haver um intervalo de tolerância de 8,5 milhões de CBios para cima e para baixo para cada ano.

Mesmo com a redução das metas compulsórias, o valor médio do CBIO negociado na Brasil Bolsa Balcão (B3) teve alta em setembro. Se no fim de agosto o certificado registrava preço médio de R$ 19,75, no mês passado o valor médio do CBIO na B3 variou de R$ 20 a R$ 37,35, segundo apontou a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Anbima lança guia para estimular negociação de CBIOs

A Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) lançou o Guia de Operacionalização do CBIO, em parceria com o Ministério de Minas e Energia (MME) e a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O guia busca padronizar e estabelecer critérios mínimos para estimular a negociação deste ativo no Brasil.

A publicação traz todo o processo de operacionalização da parte financeira do CBIO, com definições para cada etapa: emissão, colocação, intermediação, manutenção, custódia, bem como critérios mínimos necessários nos contratos de prestação de serviços. O documento é parte dos esforços para disponibilizar ao mercado informações relevantes e conteúdo educativo sobre sustentabilidade.

Copel vai contratar energia de GD para operar microrredes

Surge uma boa oportunidade para geradores de energia elétrica à biogás no Paraná. A distribuidora elétrica Copel vai lançar chamada pública para contratar energia proveniente de geração distribuída (GD). A autorização, inédita no Brasil, foi dada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), com base em solicitação feita pela companhia para implantar um projeto-piloto de compra de energia proveniente de geradores conectados ao sistema de distribuição, com o objetivo de obter benefícios de disponibilidade do fornecimento e otimização de recursos.

Para vender energia à distribuidora, os produtores independentes de energia de pequeno e médio portes terão de constituir uma microrrede. Trata-se de sistemas elétricos independentes, uma espécie de “ilha de energia”, na qual a geração, o armazenamento e o consumo podem funcionar conectados ou não à rede de distribuição.

Os geradores participantes das microrredes poderão vender sua energia para a Copel e, com isso, alimentar um grupo de consumidores próximos. A distribuidora fica responsável pelo controle e segurança da operação. Em casos de contingência, enquanto a distribuidora repara a rede, ela pode isolar o sistema e manter o consumidor abastecido.

“Este é um tema estratégico para nós, que nos leva a quebrar paradigmas e, como vantagem, oferece os benefícios dessa modalidade de geração. Por isso o pioneirismo da Copel nesta abordagem”, afirma o presidente da companhia, Daniel Slaviero.

ESTÁ POR VIR

Fórum do Biogás irá discutir papel do energético em ações de ESG e na matriz energética brasileira

O VII Fórum do Biogás será realizado em modo virtual no dia 5 de novembro. O tradicional evento da indústria brasileira de biogás e biometano, promovido pela ABiogás, vai reunir especialistas da indústria, do poder público e da academia para avaliar o papel do biogás na matriz energética brasileira.

Além de painéis sobre eficiência energética e ESG (sigla em inglês para Meio ambiente, Social e Governança), o evento irá promover workshops sobre modernização do setor elétrico, geração distribuída, o papel do biometano no desenvolvimento do mercado brasileiro de gás natural e ações de ESG.

Mais informações sobre o VII Fórum do Biogás podem ser obtidas no site da ABiogás.

NOVIDADES DO SETOR

Raia Drogasil inclui usinas a biogás em seu plano para instalar 40 MW em geração distribuída

https://economia.estadao.com.br/blogs/coluna-do-broad/raiadrogasil-abastecera-lojas-com-sistemas-de-geracao-de-energia-renovavel/

Sebrae e GEF Biogás Brasil lançam plataforma digital DataSebrae Biogás com informações sobre o setor

https://www.gefbiogas.org.br/datasebrae.html

ENC Energy inaugura usina a biogás no CTR Vale do Aço, em Santana do Paraíso (MG)

https://www.saneamentobasico.com.br/usina-biogas-minas-gerais/

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Sobre a Abiogás

Desde 2013, a ABiogás é o canal de interlocução entre o setor de biogás e sociedade civil, os Governos Federal e estaduais, as autarquias e os órgãos responsáveis pelo planejamento energético brasileiro.

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