ABiogásNews | Julho 2019

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DESTAQUES

publicado em 04/07/2019 

 

O início das obras da usina UTE Bonfim (SP – 21 MW), de propriedade da Raízen, mostra que o biogás segue em um processo de amadurecimento da fonte na matriz brasileira. Outro fato que evidencia esse cenário é a distinção entre biogás e biomassa no Plano Decenal da Expansão da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e a indicação no documento de uma expansão uniforme de oferta desse insumo energético a partir de 2023 limitada a, no máximo, 30 MW/ano. Entretanto, não há previsão de um leilão dedicado a esse tipo de energia limpa.

Em entrevista exclusiva à nossa newsletter, o Presidente da EPE, Thiago Barral, afirmou que isso se deve à relativa baixa oferta de projetos cadastrados, dificultando um processo competitivo efetivo: “os leilões são mecanismos adequados quando se tem ofertantes em montante suficiente para levar a uma competição. Por essa razão, o biogás tem competido com projetos tradicionais a biomassa, de forma a não haver barreira de entrada”, esclarece Barral.

O presidente pontua ainda os custos de transação associados à participação no leilão. Para ele, “o biogás apresenta reduzida escala na maioria de seus projetos e possui natureza típica de geração distribuída, por isso a EPE entende que outros nichos no mercado de energia elétrica fazem mais sentido, tais como micro e minigeração distribuída, contratação pelas concessionárias de distribuição por meio de leilões de geração distribuída, e mesmo no mercado livre e autoprodução”, argumenta.

Outro ponto levantado por Barral é a heterogeneidade do setor de biogás: “convertido em biometano, por exemplo, o biogás tem modelos de negócios possíveis em substituição ao diesel e gás natural em frotas e outros usos finais de energia. Não há um modelo de negócio único para viabilização do biogás no Brasil, de forma que os leilões de energia no ambiente de contratação regulada podem ser adequados apenas para uma parcela de projetos”.

A demanda de energia pelos consumidores também deve ser levada em consideração, de acordo com o presidente da EPE: “nos últimos anos tem havido alguns leilões menores, a exemplo do último A-4/2019, muito em razão da desaceleração ou até retração da economia, com reflexos no consumo de energia”, afirma.

Thiago Barral enfatiza que o biogás tem ganhado maturidade no país por meio de outros nichos, além do leilão. “O biogás tem se destacado na oferta de micro e minigeração distribuída, no sistema de compensação de energia, tendo alcançado cerca de 20 MW nessa categoria, capacidade equivalente ao projeto da Raízen. Também no ambiente de contratação livre, que tem crescido substancialmente nos últimos anos, temos visto movimentos interessantes para viabilização de projetos a biogás”.

Após todos esses argumentos, a previsão de um leilão dedicado ao biogás, por enquanto, não é pauta para o governo.

 

 

RESUMO DAS NOTÍCIAS

publicado em 04/07/2019

 

As pesquisas continuam reafirmando os benefícios da utilização de novas formas de energia. Em junho, durante o Ethanol Summit, maior evento da América Latina do setor sucroenergético, tivemos a apresentação de um estudo que revelou que os biocombustíveis têm potencial de reduzir em 70% as emissões globais de CO2 até 2050. O levantamento foi realizado pela Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA, na sigla em inglês) e publicado no Global Energy Transformation. Iniciativas como essa fortalecem o setor, tal como as parcerias que incentivam outros destinos de resíduos.

A experiência com o biocombustível em Itaipu está fazendo tanto sucesso que Governador do Paraná, Ratinho Júnior, se reuniu com o CIBiogás para debater o biometano e replicar o modelo em outras cidades do Estado, em parceria com a Sanepar e a Compagás. O objetivo foi conhecer aspectos técnicos e econômicos sobre a produção do biogás e a aplicação do mesmo como fonte alternativa de combustível renovável e segurança energética no campo.

No Centro-Oeste, o poder público começa a mudar o pensamento sobre novas formas de energia: Mato Grosso estuda uso do lixo orgânico para geração de biometano na capital Cuiabá. A estimativa é recolher cerca de 600 toneladas de resíduo orgânico produzido pelas feiras livres por mês, diminuindo de maneira significativa as áreas destinadas a recepção dos materiais. A Amazônia, por sua vez, avança na área: o prefeito de Manaus, Arthur Neto, realizou a entrega do novo gerador de biogás ao Aterro Sanitário de Manaus, localizado no quilômetro 19 da AM-010 (estrada que liga Manaus à Itacoatiara). O novo equipamento terá capacidade de gerar 300 KVA com biogás, durante 24h por dia. Já no Nordeste, as tratativas se encontram no legislativo. A Frente Parlamentar de Biocombustíveis e Energias Renováveis foi instalada na Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB). Objetivo é discutir os problemas existentes, traçar soluções, debater e formular políticas públicas, além de revisar as leis existentes sobre o tema, criando uma legislação unificada, moderna e eficiente que incentive o uso de energia limpa na Paraíba.

A iniciativa privada também movimenta a economia do biogás. A Scania anunciou investimento de R$ 1,4 bilhão em São Bernardo do Campo para o período de 2021 a 2024. A ideia é dar continuidade ao plano de colocar a operação brasileira em linha com o projeto europeu, em fase de conclusão, para que os produtos da marca não dependam mais de combustíveis fósseis. Esse plano prevê que cada caminhão ou ônibus vendidos em qualquer parte do mundo possam funcionar com diferentes tipos de energias renováveis, como biodiesel, bioetanol e gás biometano (produzido a partir de dejetos).

 

 

ESTÁ POR VIR

publicado em 04/07/2019

 

Mercado de Gás Natural 
Com a aprovação da resolução para liberar o mercado de gás natural no país, realizada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) – órgão que assessora a Presidência da República para formulação de políticas e diretrizes de energia – o setor de biogás fica na expectativa do desencadear das tramitações no legislativo. Dentre os pontos do documento, o CNPE recomenda que o governo federal incentive os estados, por meio de seus programas de transferências de recursos e de ajuste fiscal, a voluntariamente modernizar a regulação. Como já era previsto no Plano Mansueto, governo vai privilegiar estados que adotarem o mercado livre, abrindo mão do monopólio da distribuição.

O CNPE também prevê ajuda assessoria técnica aos estados para criação e manutenção de agências reguladoras autônomas, com requisitos mínimos de governança, transparência e rito decisório. A resolução será encaminhada para aprovação da Presidência da República e logo após irá para o Congresso para análise da apresentação e dos dados. Acompanhamos atentos, visto que cabe ao legislativo decidir se a resolução se tornará projeto de lei.

 

Congressos de Biownergia
Do dia 31 de julho a 1º de agosto, no campus da UNIP, em Araçatuba, SP, será realizado o maior Congresso Técnico do setor da bioenergia, o 12º Congresso Nacional da Bioenergia. O evento é promovido pela UDOP e contará nesta edição com 12 salas temáticas, nas áreas: “Comunicação Estratégica”; “Futuro da Mobilidade Veicular”; “Gestão de Materiais”; “Gestão de Negócios”; “Gestão de Pessoas”; “Inteligência do Mercado”; “Mecanização/Automotiva”; “Produção e Manutenção Industrial”; “Renovabio Itinerante”; “Saúde e Segurança no Trabalho”; “Sistema e Manejo Agronômico” e “Sistema de Produção Agronômica”. Inscrições pelo site da UDOP.

Já em setembro, haverá o 2º Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano. O evento tem apoio da ABiogás e ocorrerá do dia 4 a 6, em Chapecó, SC. O objetivo do encontro é contribuir para o desenvolvimento da cadeia de biogás e biometano nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, como também em todo o país. Para tanto, promoverá discussão sobre a produção e o uso do biogás como fonte de energia e, especialmente, sobre oportunidades de agregar inovação às tecnologias e processos para ampliar o potencial de desenvolvimento desse setor. Dentre os assuntos abordados, estão Políticas Públicas, inovação, tecnologias e processos, dentre outros. As inscrições estão abertas. Excelente oportunidade para discutir novas metodologias e fazer networking.[:]

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Sobre a Abiogás

Desde 2013, a ABiogás é o canal de interlocução entre o setor de biogás e sociedade civil, os Governos Federal e estaduais, as autarquias e os órgãos responsáveis pelo planejamento energético brasileiro.

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