ABiogásNews | junho de 2020

9 de junho de 2020 / Comments (0)

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ABiogásNews | junho de 2020

Entidades lançam frente para acelerar recuperação energética de resíduos

A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), instituída na Lei no 12.305, de agosto de 2010, surgiu para resolver um grave problema ambiental brasileiro: a disposição de resíduos sólidos urbanos (RSU) em lixões e aterros controlados por todo o país. Além de poluir solo, água e ar, tal prática representa um desperdício financeiro, já que não prioriza a reciclagem e o aproveitamento energético dos materiais. Entretanto, passados dez anos da legislação, os lixões ainda são realidade em várias localidades brasileiras, e o aproveitamento dos resíduos permanece tímido.

Para mudar esse cenário e destravar projetos na área, quatro entidades especializadas em gestão de resíduos e aproveitamento energético se uniram na Frente Brasil de Recuperação Energética de Resíduos – FBRER. Além da ABiogás, integram a iniciativa a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), a Associação Brasileira de Empresas Tratamento de Resíduos e Efluentes (Abetre) e a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe). Com apoio do Ministério do Meio Ambiente (MMA), as associações assinaram o Acordo de Cooperação para Recuperação Energética de Resíduos. Assim, de forma inédita, vão atuar em conjunto para viabilizar soluções tecnológicas e operacionais de modo a dar uma destinação mais sustentável e ambientalmente adequada aos resíduos, o que pode gerar investimentos de cerca de R$ 15 bilhões até 2030.

Os números comprovam o potencial que vem sendo desperdiçado. O Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2018/2019, publicado pela Abrelpe, mostra que foram gerados cerca de 79 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos no país em 2018. Esse volume tem potencial de gerar 14.500 gigawatts-hora (GWh) anuais de energia elétrica – cerca de 3% do consumo nacional de eletricidade – por processos de tratamento térmico. Tal carga seria suficiente para abastecer todo o estado de Pernambuco ou os estados do Rio Grande do Norte, Paraíba e Alagoas juntos. Além disso, a implantação de processos de tratamento biológico adicionaria um potencial de geração elétrica de 1.400 GWh/ano.

Entretanto, ainda de acordo com o documento da Abrelpe, nada menos que 40,5% do total de resíduos produzido – 29,5 milhões de toneladas de RSU – foram dispostos em lixões ou aterros controlados, por 3.001 dos 5.570 municípios brasileiros. A pior situação está na Região Norte, onde apenas 20,6% das cidades dispõem seus resíduos em aterros sanitários.

Outro estudo, este feito pela ABiogás e a Abrelpe, levantou que cerca de 50% do total de RSU gerados no Brasil correspondem à fração orgânica. No entanto, pouco mais da metade desse material é disposto em aterros sanitários, onde poderia haver seu aproveitamento energético – incluindo a produção de biogás.

Por isso, para o presidente da ABiogás, Alessandro Gardemann, o trabalho da frente será de extrema importância para auxiliar o esforço governamental de colocar a PNRS em prática. “O biogás é uma das formas de promover a recuperação energética dos resíduos, e a colaboração entre as associações permitirá a realização de estudos técnicos de modo a levar ao governo propostas de ações estruturadas, auxiliando na criação de políticas específicas para o setor de resíduos. Quase 80% do biogás produzido hoje no país é oriundo de resíduos de aterros sanitários e estações de tratamento de esgoto, comprovando o alto potencial energético das usinas implantadas nesses locais”, explica o executivo.

Para aperfeiçoar a recuperação energética de resíduos será necessário erradicar quase 3 mil lixões, substituindo-os por aterros sanitários, que podem ser regionais, atendendo dois ou mais municípios, com ganho de produtividade e escala, além dos inúmeros benefícios ao meio ambiente. O Manifesto de Transporte de Resíduos (MTR), que monitora expedição, movimentação e recebimento dos materiais nas unidades de destinação final, também terá papel fundamental, pois evitará desvios para locais inadequados e indicará onde estarão os volumes produtivos para recuperação energética.

Além dos ganhos financeiros, a recuperação energética de resíduos reduz a geração de chorume nas unidades de disposição final; diminui a geração de gases de efeito estufa (GEE), mitigando a emissão de 90 mil toneladas anuais de CO2 equivalente – comparável à emissão de 5 mil carros – na atmosfera para cada 1.000 toneladas de RSU tratado; aumenta a reciclagem de materiais contidos nos RSU, com consequente preservação dos recursos naturais; retorna parte da energia consumida na produção desses resíduos; substitui combustíveis fósseis na produção de cimento, com resíduo processual perto de zero; e ainda amplia a vida útil dos aterros sanitários atualmente em operação, o que é extremamente importante, já que em todo o país há crescentes dificuldades para a implantação de novas unidades.

RESUMO DAS NOTÍCIAS DE MAIO

Scania entrega primeiros caminhões a GNV e biometano do Brasil

A Scania entregou os primeiros quatro caminhões movidos a GNV e/ou biometano fabricados no Brasil no dia 26 de maio. Foram entregues dois modelos R 410 6×2 para a RN Express e dois R 410 6×2 para a Jomed LOG. Os veículos serão usados pelas duas empresas no transporte de produtos da L’Oréal.

Os modelos a GNV/biometano da Scania no país foram adquiridos pela RN Express e a Jomed LOG em outubro de 2019, durante a Fenatran – Salão Internacional do Transporte de Cargas, um dos maiores eventos do setor de transporte rodoviário de cargas da América Latina. As duas empresas vão utilizar os caminhões na rota Rio-São Paulo.

Segundo informações da montadora, os caminhões se destinam a médias e longas distâncias. Seus motores, do tipo ciclo Otto, podem operar com 100% de GNV, biometano ou uma mistura de ambos, além de serem 20% mais silenciosos.

Consumidor vai pagar a Conta Covid, criada para socorrer distribuidoras

O governo federal publicou o Decreto 10.350, que autoriza a criação e a gestão da Conta Covid. A conta vai ser formada por recursos de empréstimos bancários contratados pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), que serão destinados à cobertura de déficits ou à antecipação total ou parcial de receitas das distribuidoras por causa da pandemia de covid-19. Os custos das operações financeiras contratadas serão repassados integralmente à Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) e pagos pelos consumidores. Mesmo aqueles que migrarem para o mercado livre de energia durante a vigência do financiamento não ficarão isentos do pagamento do empréstimo.

O decreto estabelece que os recursos serão usados para cobrir os efeitos financeiros da pandemia de covid-19 referentes à sobrecontratação de energia elétrica; ao saldo em constituição da Conta de Variação de Valores de Itens da Parcela A (CVA – que reúne custos não-gerenciáveis pelas distribuidoras); à neutralidade dos encargos setoriais; à postergação, até 30 de junho de 2020, dos resultados dos processos tarifários de distribuidoras homologados até a mesma data; ao saldo da CVA reconhecido e diferimentos reconhecidos ou revertidos no último processo tarifário que não tenham sido totalmente amortizados; e à antecipação do ativo regulatório relativo à “Parcela B”, conforme regulação da Aneel.

Outro setor beneficiado pelo Decreto 10.350 é o de grandes consumidores industriais de energia, que poderão postergar o pagamento da diferença entre a demanda verificada e a demanda contratada. A Conta Covid vai repassar recursos às distribuidoras para cobrir essa diferença, que será paga depois por cada consumidor do Grupo A (alta tensão) beneficiado pelo diferimento.

Preço do gás natural no Brasil é o menor em duas décadas

Os efeitos da pandemia de covid-19 sobre a economia global e sobre o setor de petróleo e gás natural em particular fizeram com que o preço da molécula de gás natural no Brasil atingisse seu menor valor desde 2000. Entre dezembro de 2019 e maio deste ano, a redução na cotação do gás chegou a 36%, em dólares no país. Em reais, a queda foi menor, de 15%, face à desvalorização da moeda brasileira em relação à moeda dos EUA no mesmo período.

O Ministério de Minas e Energia (MME) informou que a redução no preço do gás promovida pela Petrobras desde 1º de maio impactou os preços dos contratos de 17 das 18 distribuidoras estaduais que comercializam o produto adquirido da petroleira. Esses contratos foram firmados já no ambiente do Novo Mercado de Gás. Desde janeiro, o preço da mólecula de gás deixou de ser calculado com base em uma cesta de óleos para refletir a variação externa do preço do energético.

A próxima correção do preço do gás natural será feita em agosto, já que o reajuste do energético tem periodicidade trimestral.

ESTÁ POR VIR

Em parceria com a Ecomondo Brasil, ABiogás promove webinar em 18 de junho sobre os desafios do setor no país

No dia 18 de junho, às 17h, a ABiogás, em parceria com a Ecomondo Brasil, feira de soluções tecnológicas para gestão da sustentabilidade, realiza o segundo webinar da série sobre tendências, oportunidades e desafios do setor de biogás no Brasil. O seminário virtual irá abordar tecnologias e soluções para a produção de biogás. Representantes de quatro empresas fornecedoras da cadeia de produção do biogás vão apresentar suas soluções e avaliar o desenvolvimento do mercado. Inscreva-se no canal da ABiogás no YouTube e receba alertas sobre este e outros seminários virtuais com participação da entidade.

O primeiro webinar da série reuniu Alessandro Gardemann, presidente da ABiogás; Cícero Bley, presidente emérito da ABiogás e assessor técnico do Conselho Temático de Energia da FIEP e do Cluster FIEP de Energias Renováveis; Gabriel Kropsch, vice-presidente da ABiogás; e Miguel Novato, diretor do Departamento de Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia (MME). O debate tratou do panorama do setor de biogás, os cenários pós-Covid e de como a indústria está se preparando para corresponder ao crescimento acelerado que o setor vem apresentando nos últimos anos. O webinar contou com a moderação de Luiz Fernando, da Ecomondo Brasil e pode ser assistido na íntegra aqui: https://www.youtube.com/watch?v=BQ51kTvsZ4w

O terceiro e último webinar da série vai ser realizado em 8 de julho.

NOVIDADES DO SETOR

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América do Sul renovável

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