ABiogásNews | JULHO 2020: DESTAQUE

1 de julho de 2020 / Comments (0)

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Térmica a biogás da Raízen fornecerá para a rede a partir de 2021

A Raízen Geo Biogás, joint venture formada pela gigante dos biocombustíveis Raízen e pela empresa paranaense Geo Energética, iniciou os testes com a primeira termelétrica a biogás produzido a partir de torta de filtro e vinhaça em escala comercial do Brasil. A planta, localizada na unidade Bonfim da Raízen, em Guariba (SP), tem potência instalada de 21 MW e arrematou contratos no leilão de energia elétrica nova A-5 de 2016.

Foi a primeira usina a biogás com resíduos do setor sucroalcooleiro a levar contratos nos leilões centralizados de energia. Na ocasião, o investimento previsto pelos empreendedores no projeto foi de R$ 129,893 milhões. Segundo dados do BNDES, o financiamento contratado junto ao banco para o sistema soma R$ 122,087 milhões.

Dos cerca de 138 mil MWh que a termelétrica será capaz de produzir anualmente, 96 mil MWh serão fornecidos para o ambiente regulado, conforme o contrato fechado no leilão A-5 de 2016. O início do fornecimento à rede está previsto para janeiro de 2021. O valor excedente de energia poderá ser negociado no mercado livre, de acordo com informações da Raízen. A energia anual é suficiente para abastecer o município de Guariba e cidades do entorno.

Segundo Raphaella Gomes, head de Novos Negócios de Energia da Raízen, a planta usa a tecnologia de conversão da torta de filtro em biogás que a Geo Energética desenvolveu em sua planta localizada em Tamboara (PR). O projeto conta também com a parceria da Sebigás/Cótica, que foi responsável por construir o sistema de biodigestão de vinhaça. O biogás obtido será tratado pelo sistema Thiopaq®️ da Paques, que realiza a etapa de dessulfurização do biogás, na qual o sulfeto de hidrogênio (H2S) é removido para gerar um gás de melhor qualidade. Esse gás será direcionado para motogeradores que produzirão energia elétrica a partir do biogás. O sistema da Paques irá tratar 11.550 Nm³ de biogás por hora, reduzindo o conteúdo de H2S de 10.000 ppmV para 80 ppmV, tratando uma carga de enxofre de 3.928 KgS/d, permitindo a produção dos 138 mil MWh por ano.

A planta de cogeração foi projetada pela Lonjastec, responsável integral da engenharia, construção eletromecânica e civil, e comissionamento da planta de cogeração sob um contrato EPC. Já a austríaca Innio forneceu os 7 motores geradores Jenbacher.

“A energia gerada por biogás, principalmente tendo como fonte a torta de filtro, pode ser produzida durante o ano inteiro, o que oferece estabilidade energética tanto para a indústria, impactando no desenvolvimento econômico do país, quanto para a sociedade, oferecendo melhor qualidade de vida à população. A Raízen é protagonista no Brasil no que se refere a esta movimentação global em busca de alternativas sustentáveis que garantam a transição energética e a redução das emissões de gases do efeito estufa, e o biogás é, certamente, uma dessas soluções, tanto para geração de energia elétrica quanto para uso como combustível, por meio do biometano”, aponta a executiva.

O processo usa biodigestores que convertem a matéria orgânica da torta de filtro (impurezas restantes da purificação do caldo da cana composta de 70% de água, 18% de matéria orgânica e 12% de outros sólidos) e da vinhaça (composta por 95% de água, 3% de sais e 2% de carga orgânica) em biogás.  Além de gerar o gás, a torta de filtro e a vinhaça tratadas ainda serão utilizadas como fertilizantes.

“Trata-se de uma solução sustentável, pela qual a Raízen reforça seu compromisso em atuar em projetos de economia circular, aproveitando todos os resíduos utilizados em seus processos para a geração de novos produtos e contribuindo com o meio ambiente, ajudando a limpar a matriz energética brasileira”, explica Raphaella Gomes.

Embora não tenha em sua carteira novos projetos de biogás à base de resíduos sucroalcooleiros no curto prazo, a Raízen garante estar atenta a novas possibilidades no segmento. Inclusive na possibilidade de tratar o biogás e convertê-lo em biometano, utilizando-o como substituto do óleo diesel em tratores e caminhões.

“Isso reflete o compromisso da Raízen em liderar iniciativas que contribuam para a transição energética global, trazendo o máximo aproveitamento dos resíduos de seus processos produtivos e incentivando a economia circular”, reforça a executiva.

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